terça-feira, 31 de agosto de 2010

Esse Dia

Devíamos ser sempre livres. Devia existir um recanto qualquer dentro de nós impossível de alcançar por quem quer que fosse. Seria nosso apenas. Lá seríamos sempre livres. Uma parte do dia seria essa parte nossa, sem que tivesse que ser porque sim e porque não. Era nossa.
Dizem que há sempre um preço para todas as coisas na vida que conquistamos. Como se cada vitória tivesse um revés. Como se não pudéssemos ser felizes com as coisas boas que conseguimos obter com esforço, dedicação e mudança. Porque a seguir vem logo uma má que ensombra tudo. Na verdade convivemos mal com a sensação de ser ou estar feliz, com receio de a perder, desfazemos a pó o absurdo que é o de não darmos a nós mesmos o direito de viver essa fracção de segundo em que somos felizes.
Crescemos a pensar que a felicidade e a liberdade são um luxo e um crime. Um luxo que não nos podemos permitir e um crime que jamais poderemos cometer. Sermos livres e felizes é criminoso. Compramos certas batalhas na expectativa de pacificar os nossos diabos mas esta paz parece uma utopia, porque não nos permitimos o prazer de consumir esse momento. Se o soubéssemos esgotar, agigantar a sua pequenez, apenas dentro de nós, transformando esse estorvo em colo, se conseguíssemos pousar nele a nossa cabeça e todo o cansaço do mundo, sim, se soubéssemos estimar o desejo convertido, esbanjá-lo, congratularmo-nos e rir, rir muito, assim a paz seria realmente nossa, nesse dia foi o que fizemos……

domingo, 29 de agosto de 2010

A JANELA

Subimos as escadas a correr e batemos contra a porta porque ela já devia estar aberta,
mas era a janela, foi a janela que não vimos,
ainda era cedo e por enquanto era a penas
a janela...

domingo, 15 de agosto de 2010

Os laços que nos unem


Os laços que nos unem não se vêem, só se sentem.
Ninguém sabe onde estão, porque os temos apagados, raramente se acendem na rotina que carregamos.
Invisíveis ao olhar que nada sabe, submersos no que somos e fazemos.
Assim os guardamos como nós apertados que
nunca desatamos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

A IMPERFEIÇÃO


Gosto do imperfeito, mas quero a perfeição.
Gosto da imperfeição dos outros, dos caminhos sem sentido, dos defeitos, dos corpos que apenas o são, dos que deixam na vida uma marca qualquer.
Gosto do que não faz sentido e que tudo une. Gosto da imperfeição mas agonizo com a minha.
Quando se instala fecho todas as portas e agonizo à espera.
Conto e revejo todos os erros, e os ses que devia ter convertido em actos e que deixei para trás.
Tortura-me o que fica por dizer. A vida fica suspensa à minha espera.
E o que deixei de fazer, a imperfeição do que fiz condenam tudo e como uma névoa não vejo bem.
Regresso à viagem circular.
Mas gostei daquele fim de tarde,
porque há tanto tempo
não nos sentávamos na praça a falar de nós.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

MISSING THESE DAYS



Hoje lembro-me daqueles dias e sinto falta.

O tempo e a ausência desfiados explicam

o que os outros

deixam em nós de único e nosso.

Este tempo abstracto onde estamos e não damos conta.

E quando esse tempo se concretiza e se impõe, acordamos finalmente

para a importância desses momentos nos dias que largamos.