sábado, 24 de julho de 2010

A IMPERFEIÇÃO


Gosto do imperfeito, mas quero a perfeição.
Gosto da imperfeição dos outros, dos caminhos sem sentido, dos defeitos, dos corpos que apenas o são, dos que deixam na vida uma marca qualquer.
Gosto do que não faz sentido e que tudo une. Gosto da imperfeição mas agonizo com a minha.
Quando se instala fecho todas as portas e agonizo à espera.
Conto e revejo todos os erros, e os ses que devia ter convertido em actos e que deixei para trás.
Tortura-me o que fica por dizer. A vida fica suspensa à minha espera.
E o que deixei de fazer, a imperfeição do que fiz condenam tudo e como uma névoa não vejo bem.
Regresso à viagem circular.
Mas gostei daquele fim de tarde,
porque há tanto tempo
não nos sentávamos na praça a falar de nós.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

MISSING THESE DAYS



Hoje lembro-me daqueles dias e sinto falta.

O tempo e a ausência desfiados explicam

o que os outros

deixam em nós de único e nosso.

Este tempo abstracto onde estamos e não damos conta.

E quando esse tempo se concretiza e se impõe, acordamos finalmente

para a importância desses momentos nos dias que largamos.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

SHE SMELLS...


and she smells
and she smells
the smell of the beauty
the smell of the baby
the smell of cooking food in the kitchen
and she smells and smells and smells
the new old smells
the same
but now she smells….

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A CERTEZA

Mas o que vem a correr para mim daquele tempo é o riso.
Aquele riso trespassado de vida que achávamos difícil, mas que hoje sabemos que não, que tudo não passava de horas boas com pequenos intervalos de angústia, porque no dia a seguir aquele riso colava todas as peças fora de sítio e tudo voltava ao seu lugar.
É esta certeza, que ainda hoje perdura em mim, e que o tempo não desfez, que a memória daquele riso devolve.
Quando penso nesse tempo não tenho vontade de lá voltar, mas gosto de pensar nele assim, como a memória desse riso que hoje faz parte de mim e que não me pode abandonar.

sábado, 29 de maio de 2010

RARAS PESSOAS



As palavras serão sempre poucas,
sempre loucas,
para dizer a identidade,
a comunhão,
a paz
que encontramos em raras pessoas
que com linhas suaves
cruzam a nossa vida.....

quarta-feira, 19 de maio de 2010

INTERVALO

Intervalo de black out .....

À procura de um caminho

numa noite de conversa

onde a vida passou devagar e parecia tudo fácil....

quinta-feira, 6 de maio de 2010

EM QUE LUGAR?



Ficara presa ali nesse lugar inóspito e a seguir nada….
Nada na vida soubera retirar dali aquilo em que se tornara
Nem tempo nem espaço nem palavras
Simplesmente nada….