quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Encontro
"Levaram-me o orgulho todo
deixaram-me a memória envenenada
e intacta a torre de marfim
só não sei que faça da porta da torre
que dá para donde vim"
Almada Negreiros
NÃONÃONÃONÃONÃO
Argumentou com respostas feitas, emolduradas de diplomacia e tacto.
Mas o que queria era dizer que não e não estar ali.
Encontrou uma forma de ser correcta trancando os olhos às lágrimas e afastando a raiva com palavras inventadas.
Vestiu a roupa do que tem que ser e mandou calar aquele desespero que não a deixava ir embora, e dizer que não sem se sentir cobarde, vazia, sem questionar todas as certezas de uma qualquer opinião. Naquele momento queria apenas sair e estar sozinha, de fora daquela gente, daquele espaço e daquele momento. Impossível, inevitável.
Disse mal da vida e seguiu em frente.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
ENJOY THE SILENCE - RETURN
Quero o riso sossegado
E o calor do abraço
o afago das palavras
iluminadas
Quero outra vez e mais
achar a vida fácil
quando ouço e digo a conversa desfiada
pelas noites
onde muitos caminhos desaguam
no mesmo sítio.
Quero dias e horas de paz,
da que me trouxeram embrulhada
como uma prenda que desconhecia.
Quero apagar a distância
E fazer de conta que amanhã
vou abrir a porta e saber onde estou
porque estás aqui.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
A noite que era para ser a ver um filme II
Esta noite eu era outra vez o Ninguém. Um resto de mim arrastava o peso deste corpo. Este resto olhava em volta e não via nada, só o resto preso às coisas que não fiz. As coisas que mandam neste resto e o carregam. Eu era só o resto e o Ninguém.
Nesta noite não vimos o filme, porque ainda outra vez as palavras tomaram conta do tempo e de nós. Nesta noite rimos muito da vida e ela de repente era leve e eu já não era apenas o ninguém, era a esperança iluminada de um dia a viajar.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
LHASA DE SELA - ADIEU
Só o silêncio, esse silêncio estúpido.
E como quem atira uma pedra dizemos adeus.
Inevitável e agonizante. Adeus.
O que fazemos com este vazio? Tentamos é certo, tentamos.
Numa obsessão fatal de conseguirmos. Conseguiremos?
Adeus.
Cola-se a nós como uma sombra e em nós permanece, cronicamente faz parte de nós.
A Lhasa e a um amigo a quem dissémos adeus.