segunda-feira, 30 de maio de 2011
A Correr
Os dias a correr para que o tempo não nos leve a vontade que escondemos....
Entre o início e pelo meio o gesto de todos os dias
E de repente já passou.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
IMPERFEISSSAO
Hoje fui fiel a mim mesma.
Hoje abri a porta e mudei de rua. O padrão que me guia e sussurra ao ouvido
os princípios perfeitos com que calo a voz, ficou lá.
Hoje a minha imperfeição consagrou-se e não me apetece o remorço, a dúvida e o não saber.
Salto inconsciente, impensado e irreflectido que nunca dei, que nunca fiz.
Minha alma é leve e o vento sopra.
terça-feira, 24 de maio de 2011
OS DIAS QUE ADIAMOS
Vendo bem somos apenas os dias que gastamos com ardor para sobreviver.
Em várias caixas caberiam todos os pedaços do que deixo por fazer.
Do que adio, do que penso sempre que posso fazer amanhã.
Do que me preenche e faz ser mais, do que ilumina e me afaga dos dias maus.
Parada à espera, assim fico. E uma voz submersa vai-me dizendo ao ouvido que é hora.
Mas finjo que não o ouço, esse sussurro, que afinal é estridente, porque há sempre mais e agora
não, que não posso, que não pode ser.
E vou-me ouvindo a dizer que se calhar não vale a pena porque ninguém vê nem ninguém sabe e
que se soubessem seria um encolher de ombros sem sentido.
Não prometo nada, não sei prometer.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
À ESPERA

É uma dor que se entranha, que nunca vai embora que nunca passa.
Dias há em que parece não exisitir, em que no atropelo do tempo que corre nem se sente, nem se vê.
E por momentos acreditamos que somos gente outra vez, porque não a sentir é respirar melhor, é correr sempre mas sem os pés presos, é achar que o ínfimo vale a pena.
Outros dias ela chega silenciosa, sem avisar, de repente, sem marcar hora e fica à espera sempre à espera, como uma torneira aberta, à espera.
Outros dias ela chega silenciosa, sem avisar, de repente, sem marcar hora e fica à espera sempre à espera, como uma torneira aberta, à espera.
Foto de underskin
domingo, 2 de janeiro de 2011
O que vale a pena
Não quero o faz de conta, quero o que acontece
espontaneamente e devagar, mesmos que os outros não vejam,
não sintam, mas quero sentir.
Não quero que pareça, quero que seja.
Quero chegar e ver, não a visão do esforço do tentando ser, mas
as janelas abertas e o vento a entrar.
Os outros são o pó da estrada de que não me lembro.
O tempo já não é o mesmo e já não consigo esperar. Já não chega, já não satisfaz.
Abandonei para sempre a resignação e hoje só quero saber do sítio onde posso sempre recomeçar. Do que vale a pena, do que me afaga, do que me preenche e do que fica comigo a fazer parte de mim, o resto não vale a pena, não vale a pena viver a vida tentando ser o que não somos.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Don't haunt this heart (Texas)
Atravesso a rua e sei que naquela janela, naquela janela,
os olhos atrás da franja,
os olhos que falam mas não se ouvem, ficaram naquela janela quando
se fez noite e não te vi mais,
o som suave atrás de mim, a passar ao meu lado atrás da franja, à minha espera e depois
só isso, o silêncio das palavras que nunca vieram.
Nesse dia, saí de casa e segui o mesmo caminho, mas a rua parecia deserta e eu não ouvia nada,
ignorei os sinais, porque faziam parte de ti, havia dias em que simplesmente não existias,
devia ter pressentido, devia, que aquele silêncio era sombrio e que o calor era frio e chovia.
Nunca mais desci a rua a pé mas há dias em que pareces estar à minha espera,
atrás da franja, da janela, atrás dos olhos e dos outros.
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